Bem-estar

17/11/2020 08h00

Arquitetura saudável e sustentável

Novos conceitos como Neuroarquitetura e Biofilia chegam aos projetos de ambientes para promover saúde, bem-estar e sustentabilidade

Por Nosso Bem Estar

Racool_studio/FREEPIK/NBE
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Arquitetura saudável e sustentável

Você entra em um ambiente e repentinamente se sente estimulada(o) por sensações e percepções que modificam o seu estado físico e mental.

As razões podem ser variadas, mas entre elas pode estar o fato do projeto de ambientação contemplar os novos princípios da Neuroarquiteura, originada dos conhecimentos da Neurociência aplicada à Arquitetura.

A especialidade é fundamentada em pesquisas e estudos sobre a relação das pessoas com seu o ambiente e em como o espaço físico pode atuar no cérebro e no comportamento humano. Conforme a Neuroarquitetura, o ambiente também influencia seus usuários na tomada de decisões, na atenção, na memória, na socialização, recuperação da saúde e principalmente no bem-estar e no estado de felicidade.

As novas aplicações da Arquitetura aprofundam seu olhar para a conexão das pessoas com a natureza, dentro dos ambientes e das comunidades construídas. O conceito da Biofilia surgiu a partir dos estudos de sociobiologia pelo biólogo norte-americano Edward O. Wilson e é traduzido como “amor à vida e o desejo de se afiliar a outras formas de vida". A influência na arquitetura se aplicou ao uso de materiais naturais e na criação de espaços mais saudáveis, mais produtivos, geradores de um maior nível de bem-estar, com a introdução de plantas, luz do sol, água e ventilação natural, entre outros.

Arquitetura humanizada, saudável e sustentável está no foco das arquitetas Candice Ruwer Vidor e Rejane Pimenta, com mais de 20 anos de atuação na área e criadoras da Ideia Arquitetura Transformativa, que traz no próprio nome a proposta de atuação. 

Em suas especializações profissionais em Sustentabilidade, Neuroarquitetura, Biofilia, Geobiologia e Psicologia, as arquitetas estudaram como os ambientes podem impactar as pessoas nas esferas físicas, emocionais e sociais. “É importante ter uma visão ampliada e humanizada, para projetar de forma que as influências dos ambientes onde vivemos sejam favoráveis à manutenção e regeneração da vida, em espaços saudáveis para uma melhor qualidade de vida e bem-estar”, observa Candice Vidor.

NOVOS OLHARES

O ser humano urbano passa a maior parte do seu tempo de vida dentro de ambientes internos fechados. O período da pandemia trouxe ainda mais reflexões sobre a forma como ocupamos nossos espaços. Os espaços em geral ganharam novo uso e significado e, desta forma, sentimentos e percepções foram revisitados.

Para Rejane Pimenta, estas reflexões sobre os ambientes devem orientar o olhar para a busca de uma Arquitetura Saudável e Sustentável. “A saudável para transformar os ambientes construídos em espaços que promovam saúde e bem-estar a toda vida que nele habita, seja este espaço de moradia, trabalho ou lazer. E a sustentável para o uso consciente dos recursos naturais, através de alternativas que buscam o equilíbrio e a disponibilidade destes recursos, com o objetivo de preservar o meio ambiente e consequentemente, promover o bem-estar coletivo”, define a arquiteta.

As sócias Candice Vidor e Rejane Pimenta foram certificadas com o selo Casa Saudável, uma certificação mundial coordenada pelo Healthy Building World Institute (Instituto Mundial de Construção Saudável).

Para que um empreendimento, projeto, produto ou serviço de manutenção seja certificado com o selo HBC é necessário passar por um processo que envolve auditorias para constatação dos critérios de promoção de saúde. Como profissionais certificadas, as arquitetas estão capacitadas para a viabilizar a certificação do selo aos seus projetos.

As ações sustentáveis abrangem, além das questões sociais e ambientais, também as econômicas. Os investimento iniciais com sustentabilidade costumam ser maiores do que em obras tradicionais, mas a médio e longo prazo há uma compensação econômica com a redução de custos de água e energia, por exemplo.

E, é claro, a recompensa de habitar ambientes domésticos e profissionais mais saudáveis e uma consciência mais tranquila de estar contribuindo para a preservação dos recursos naturais.  

 

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