Crescimento pessoal

17/01/2020 08h00

O yoga na dança indiana

“Não há principio de yoga que não possa achar-se nesta arte superior”

Por Supriya

Pixabay
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Yoga

Existe uma estreita relação entre a dança indiana e Yoga “Bharatnatyan” - o estilo mais antigo de dança na Índia, tão antigo quanto o próprio Yoga. Foram achadas estatuetas de dançarinas e dançarinos em escavações arqueológicas com mais de cinco mil anos de idade.

Acredita-se que esta dança foi fruto de uma revelação divina e não de uma criação humana. A mitologia conta que Brahma (o criador) haveria composto, a pedido dos deuses, as escrituras sagradas (vedas), sobre dança, teatro e mímica, onde recorreu ao Yoga para relembrar os quatro vedas, e então decidiu fazer o quinto veda que seria chamado de Natya (teatro): nele todos os temas da mitologia e da tradição épica estariam combinados. O Natya Veda levaria à retidão, justiça, prosperidade e à plenitude, traz celebridade e transmite conhecimento sagrado. Assim, Brahma, concentrando na sua mente toda essa sabedoria, compôs o Natyadeva. Logo o revelou a Bharata (o homem).

Referindo-se a dança clássica indiana, um mestre diz a seus alunos:

“É yoga aplicada (...), pois é uma forma profunda de fazer meditação”

“É yoga dos chacras (...), pois trabalha a parte energética e intuição”;

“Os Mudras (gestos das mãos) localiza, intensifica e direciona a energia sutil, ou seja, muda o sistema energético da bailarina”.

Outro mestre falou: “A dança é Yoga, se o bailarino for capaz de conectar seu ser individual com a consciência suprema”.

O ritual de preparação é muito importante para elevar nossa mente e poder nos conectar com a nossa divindade, a bailarina pode levar até duas horas para se arrumar. Coloca as roupas tradicionais, se enfeita com muitos ornamentos e prepara-se para seu “encontro”. Acende o incenso, prepara a oferenda de pétalas de flores etc. Logo por meio da dança, sua mente se eleva e o sentimento é de estar “servindo ao nosso amado”. Através da dança ela é “seu instrumento de devoção”, cujo objetivo é elevar o estado de consciência do público que a assiste.

Nem todos os bailarinos conseguem este encantamento de bem-aventurança, da mesma forma que nem todos os sadhakas (praticantes de meditação) conseguem sempre um elevado estado de consciência na sua meditação, mas basta tê-lo sentido uma única vez para jamais esquecê-lo e a chama da devoção ficar acessa para sempre.

Após a dança o bailarino se sente leve, puro e transformado, por isso a sua semelhança com a meditação. Da mesma forma como o yoga nos ajuda em tantos aspectos da nossa vida, a dança devocional (clássica ou contemporânea) também nos traz autoconhecimento e compreensão do mundo, ajudando-nos a alcançar os quatro objetivos da existência humana (Purusartha):

Dharma: Evolução ética e espiritual;

Artha: Vida social e cívica, aquisição de bens para uma finalidade válida;

Kama: O amor entre um homem e uma mulher e prazeres sensoriais;

Moksa: Libertação do desejo que distrai o homem do seu verdadeiro ser.

Na dança clássica Bharata Natyan não há nada que não possua uma dimensão sagrada:

 

Não há pensamento, afirma Brahma.

Nem conhecimento, nem arte, nem obra.

Nem sabedoria, nem valor.

Nem principio de Yoga

Que não possa achar-se nesta arte superior.

 

(Natya Shastra*)

 

 

*O Natyashastra é o trabalho de arte
dramática escrito por Bharata Muni no século II a/c.
Texto escrito por Supriya,

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